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Quanto mais vazia está a carroça, maior é o barulho que faz

Fábula

Caminhava um dia com o meu pai, quando de repente ele me perguntou:
— Para além do canto dos pássaros, ouves mais alguma coisa?

— Sim —respondi—, o barulho de uma carroça.

— Muito bem —disse-me ele—. E está vazia.

— Vazia? E como sabes, se ainda não a vimos?

— Muito simples: pelo barulho. Quanto mais vazia está, maior é o barulho que faz.

Desde então, sempre que vejo alguém a falar demais, a interromper, a ser inoportuno, a vangloriar-se do que tem e a menosprezar os outros, parece-me ouvir a voz do meu pai a dizer:
“Quanto mais vazia está a carroça, maior é o barulho que faz”.

Esta expressão popular descreve com grande clareza uma atitude que vemos com frequência. Muitas pessoas sofrem do que poderíamos chamar a síndrome da carroça vazia: a necessidade constante de mascarar inseguranças e fragilidades internas com personalidades barulhentas e exageradas. Procuram convencer os outros de algo que, no fundo, sentem que não são ou não têm.

Para isso, exageram e adornam tudo o que diz respeito a si próprias: a sua inteligência, as suas capacidades, o seu estatuto ou as suas conquistas. Não porque as vivam a partir de um lugar de plenitude, mas porque tentam preencher um vazio interior. Este comportamento é, muitas vezes, sinal de autoestima baixa ou fragilizada. E atenção, não estou a dizer que seja errado celebrar conquistas, não é! O problema está na exibição constante, na exageração e na necessidade de validação externa.

Quando existe uma construção saudável da identidade e do valor pessoal, tudo muda. A segurança interior permite estar em paz, sem necessidade de provar nada a ninguém. Caminha-se com um sentido de oferta e não de exigência: contribui-se, colabora-se, acrescenta-se valor. Já não se procura aprovação, porque se sabe quem se é e reconhece-se o próprio valor.

Uma autoestima bem trabalhada retira-nos do papel de vítima e coloca-nos como protagonistas da nossa própria vida. Deixa-se de competir, de comparar e de justificar. Percebe-se que a verdadeira força não faz barulho, sente-se.

Por isso, quando o ruído exterior se tornar incómodo, fica a reflexão final:
quanto mais vazia está a carroça, maior é o barulho que faz.

Cuanto más vacía está la carreta, mayor es el ruido que hace

Fábula

Caminaba un día con mi padre, cuando de pronto me preguntó:
— Además del canto de los pájaros, ¿oyes algo?

— Sí —le contesté—, el ruido de una carreta.

— Muy bien —me dijo—. Y está vacía.

— ¿Vacía? ¿Y cómo lo sabes, si no la hemos visto?

— Muy fácil: por el ruido. Cuanto más vacía está, mayor es el ruido que hace.

Desde entonces, cuando veo a alguien hablando demasiado, interrumpiendo, siendo inoportuno, alabándose de lo que tiene y menospreciando a otros, me parece oír la voz de mi padre diciendo:
“Cuanto más vacía está la carreta, mayor es el ruido que hace”.

Esta frase popular describe con mucha claridad una actitud que vemos a diario. Muchas personas padecen lo que podríamos llamar el síndrome de la carreta vacía: la necesidad constante de enmascarar inseguridades y carencias internas con personalidades ruidosas y exageradas. Buscan convencer a los demás de algo que, en el fondo, sienten que no son o no tienen.

Para lograrlo, adornan y maximizan todo lo relacionado consigo mismas: su inteligencia, sus habilidades, su estatus o sus logros. No porque los vivan desde la plenitud, sino porque intentan llenar un vacío interior. Esto suele ser una señal de autoestima baja o dañada. Y ojo, no estoy diciendo que esté mal celebrar tus logros, ¡no lo está! Lo dañino es el alarde constante, la exageración y la necesidad permanente de validación externa.

Cuando existe una construcción sana de la identidad y del valor personal, sucede algo muy distinto. La seguridad interior te permite estar en calma, sin necesidad de demostrar nada. Caminas con un sentido de oferta y no de demanda: aportas, colaboras, sumas. Ya no buscas aprobación, porque sabes quién eres y cuánto vales.

Una autoestima bien trabajada te saca del papel de víctima y te coloca en el rol de protagonista de tu propia vida. Dejas de competir, de compararte y de justificarte. Comprendes que la verdadera fuerza no hace ruido, se siente.

Por eso, cada vez que el ruido ajeno te incomode, recuerda esta enseñanza tan simple como profunda:
cuanto más vacía está la carreta, mayor es el ruido que hace.
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